Família:Está em Extinção ou Mutação?
Recentemente soube que um escritor cristão, Charles Swindoll, relatou algumas estastìstica que se referem à realidade das familias dos Estados Unidos:
1. Mais de 1/3 dos casamentos acabam em separação.
2. Quase 80% das pessoas divorciadas casam-se novamente, e mais de 40% desses segundos casamentos também fracassam.
3. De 10 crianças nascidas na decada de 70, passaram parte de sua infância com apenas um dos pais.
4. Um grande número de crianças que vive com os pais, ao voltar da escola, fica sozinha em casa (ambos os pais trabalham fora).
5. Em cerca de 20% das familias americanas, as crianças são submetidas a maus-tratos.
6. Cerca de 30% dos casais experimentam alguma forma de violência no seu
relacionamento, e um grande número já atentou contra a vida do cônjuge.
7. Cerca de 13 adolecentes se suicidam por dia nos Estados Unidos (e essa informação não é muito recente; hoje o indice deve ser mais elevado).
Após a analise dos dados acima, e muitos outros, Swindoll comenta:
“Estudos feitos recentemente mostram que o lar é um dos lugares mais perigosos para a segurança do homem. Só perde para as guerras e tumultos de rua”. As informações do referido autor, embora extraidos de sua realidade norte- americana,dizem muito a respeito da realidade das familias brasileiras. Portanto,será que a familia seria uma espécie em extinção? ou estaria em mutação? Qual sua opnião?
Muitos de discute as questões que envolve a possível decadência do modelo familiar tradicional que conhecemos. Veja os argumentos do texto do Dr. Marcos Inhauser, estudioso em Terapia Familiar e Gerenciamento de Conflitos Familiares e tire suas próprias conclusões. Caso possa mande seus comentários.
“Hoje em dia as pessoas se casam para ver se vai dar certo e não para dar certo”.
“A família vai mal das pernas: veja o número de divórcios”.
“A família está, mais do que nunca, sendo atacada por Satanás. Ela é parte do plano criador de Deus e destruí-la é uma forma de destruir a igreja”.
Se você já não falou uma destas frases, ou outra parecida a elas, certamente já as ouviu. Elas nos levam à pergunta: está realmente a família em decadência?
A resposta depende da ótica com a qual se analisa. É possível dar várias, algumas opostas entre si. Quero apresentar algumas.
Decadência?
A primeira é que a família está em decadência. O nível de pessoas se separando ou divorciando, o número de filhos rebeldes que se envolvem com a marginalidade e as drogas são evidências disto. Há ainda o crescente número de menores abandonados, de mães solteiras, de gravidez juvenil. Este quadro evidencia, com cores bastante fortes, que a família está em franca decadência. Para os mais radicais, o casamento e a família estão em vias de extinção. Para os mais moderados, algo precisa ser feito urgentemente para salvaá-los.
O primeiro grupo entende que o casamento e a família são instituições ultrapassadas que já não se ajustam à moderna realidade da vida moderna. O segundo grupo entende que há elementos estranhos que estão afetando o relacionamento conjugal e familiar e estabelecendo a crise e que precisam ser detectados e combatidos.
O passado e presente da família
A comparação pura e simples das famílias antigas e modernas traz dificuldades, pois a antiga não pode ser parâmetro de julgamento da moderna. É verdade que a antiga aparentemente era mais estável que a moderna. Havia menos divórcios e separações, mais respeito pelos pais e menos rebeldia nos filhos. No entanto, esta visão é romântica. Se é verdade que a família parecia ser mais estável, deve-se aclarar que muito da estabilidade era fruto da ditadura vigente na família, onde pais (ou mães) eram autoridades supremas, suprimindo as tentativas de diálogo, de compreensão das ansiedades e sonhos dos filhos. Havia uma aparente estabilidade à custa de muito medo, autoritarismo, subserviência, dominação e opressão. Quantas vezes não ouvimos: “Meu pai não permitia que ninguém falasse à mesa ou que o contrariasse”.
Comparando realidades
Há que mencionar-se o papel submisso da esposa, reforçado por uma teologia machista, verticalista e hierárquica, segundo a qual ela devia, em tudo, ser obediente. Era um ser de segunda categoria, que só servia para lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos. Porque o marido era, via de regra, quem trazia o dinheiro para casa, era também quem detinha o poder. Romper este círculo era ir contra o sistema que não dava chances de crescimento e independência à mulher. Separar-se do marido e tentar vida própria era um risco de sobrevivência e a certeza de que seria “mal-falada”.
Além disto, a família era educada pelos pais, com a ajuda do sistema familiar. Os parentes viviam próximos um dos outros, as crianças brincavam com os primos e eram vigiados e educados pelo sistema familiar estendido. Isto dava uma certa homogeneidade e contrôle para o que as crianças estavam aprendendo. Com isto, o sistema de poder paterno-maternal era preservado e pouca rebeldia podia aparecer porque domesticado pelo sistema de vigilância da família estendida.
Uma nova realidade familiar
As coisas mudaram. A mulher ganhou espaços de liberdade, sua igualdade foi sendo reconhecida, sua voz foi sendo ouvida, o monólogo conjugal foi sendo substituído pelo diálogo familiar, ela saiu para exercer outros papéis fora do lar, trazendo assim parte do sustento familiar, o que lhe conferiu certo poder. Se antes a mulher era submissa e auxiliadora subalterna e secundária, hoje ela é cooperadora em nível de igualdade, alguém que está à altura do homem. O casamento e a família modernos são muito mais verdadeiros que o eram os do passado. Da submissão imposta passou-se à cooperação espontânea e consensual. Se é verdade que antigamente havia menos divórcios que hoje, também é verdade que muitos dos que viviam juntos no passado, estavam de fato divorciados. Não creio que o número de divórcios reais do passado fosse inferior ao número atual. A diferença é que hoje as pessoas têm a coragem de assumir que o relacionamento está deteriorado, fazendo-o de forma pública.
Uma nova realidade educacional
Por outro lado, hoje os filhos já não são mais educados somente pelos pais. Há a televisão, a escola, os amigos que não pertencem à família estendida. A rede de suporte formado pela família se perdeu por causa da mobilidade social e urbana, onde as famílias nucleares estão vivendo isoladas de seu contexto familiar mais amplo. Acresce-se a isto a nova realidade econômica onde marido e esposa estão saindo para o mercado de trabalho e os filhos estão passando mais tempo com a Xuxa, Angélica ou as tias das escolinhas maternais que com seus pais. Isto têm gerado um déficit afetivo nas crianças, que não estão recebendo o carinho, os abraços, os beijos necessários para a sua estabilidade emocional.
Este déficit afetivo associado ao fato de que os afetos da criança devem ser dedicados a um contingente maior de pessoas não ligadas estruturalmente à família, colabora para que esta assuma importância secundária na formação intelectual e emocional das crianças. Se ela passa mais tempo longe dos pais que das tias, se gasta mais tempo sendo ensinado pelas apresentadoras de TV ou pelo videogames, nada mais lógico que estas novas figuras passem a ter papel preponderante na cosmovisão.
Uma nova realidade cultural
Mais que isto, porque as crianças e a família estão sendo bombardeadas por uma avalanche de cenas de adultério, infidelidade, violência e sexo irresponsável, via novelas, seriados e mini-séries, ou pelos videogames, a cultura da infidelidade e da violência vem sendo absorvida pela família. Porque se vê todos os dias que a morte do bandido é a solução dos problemas, que um golpe ou soco resolve problemas, que um tiro livra de uma situação indesejável, nada mais lógico que tais atitudes venham a se incorporar no universo do nosso comportamento. A rebeldia pode ser um elemento “importado” pela família. Mas esta não é a única razão.
Uma antiga necessidade familiar
A falta de diálogo familiar, seja por falta de tempo ou por falta de prática, sempre levou as famílias à crise, rebeldia e à dissolução. Uma família que não se dedica com afinco ao exercício da comunicação está fadada à ruína. Nestes tempos em que se gasta tanto tempo vendo TV, parado nos congestionamentos, nas atividades que nos assoberbam, pouco ou nenhuma ênfase se tem dado ao exercício diário, disciplinado e sério do diálogo familiar. Se no passado o autoritarismo patriarcal ou matriarcal não permitia o diálogo, hoje a vida agitada também não o está permitindo.
A família tem jeito. A sua crise é determinada pelo momento histórico. Querer que ela seja igual foi no passado é romantismo e utopia. Não mais é possível ser como era, mesmo porque, como vimos, no passado a família não era estas maravilhas que se crê. A Igreja deve pensar e ajudar as famílias a viver harmônica e cristãmente nos dias atuais. Ela fará isto se se abrir para a realidade presente e pensá-la a partir dos princípios bíblicos, buscando novas luzes e não simplesmente repetindo velhos chavões.
FRASES PARA PENSAR E VIVER...
Toques de Sabedoria!
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