O técnico Renê Simões, que há alguns meses deixou o comando do Fluminense, deu uma entrevista ao site “globo.com” da qual pinço alguns detalhes. “Nunca fui demitido após vencer uma partida, ainda mais por 3 a 0. Ser honesto pode ter sido o meu maior erro. Jamais deixei alguém influenciar na escalação da equipe. Tudo foi feito por mim e pela comissão técnica”, afirmou.
Estas palavras revelam o caráter firme de um homem que busca nas palavras da Bíblia inspiração para viver. “Tanto sei viver exaltado como humilhado. Tanto na fartura como na escassez. Tudo posso naquele que me fortalece. Levo sempre isto na minha vida. Não negociei as minhas convicções e nem os meus princípios”, declarou.
Quando li a entrevista pensei: Renê Simões conhece o texto do apóstolo Paulo. Além disto, tem noção de interpretação de textos bíblicos. É sabido que ele é um intelectual, um devorador de livros e está sempre interessado em aprender. Porém, não me passaria pela cabeça que interpretaria com maestria um texto bíblico.
É comum encontrarmos cristãos usando o texto de Filipenses 4.13 no sentido de afirmação de um poder para realizar grandes coisas. Porém, é o contrário. É um poder para suportar aflições. Veja o contexto imediato: “Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim... Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4.10-13).
“Há muito cristianismo de trono e pouco cristianismo de cruz”, me parece que é do pastor Isaltino Gomes Coelho Filho esta declaração. Cristãos que pensam que Deus tem o compromisso de evitar todos os sofrimentos nesta vida.
O curioso de tudo é que Renê comandou o Fluminense em 21 partidas, com 11 vitórias, 5 empates e 5 derrotas (23% de insucesso). Além disto, a equipe marcou 33 gols e sofreu 16 (1,6 gol marcado por partida e 0,5 gol sofrido). O time estava na zona de rebaixamento da última edição do Campeonato Brasileiro quando ele assumiu o posto, mas acabou se classificando para a próxima edição da Copa Sul-Americana. Além disto, este ano chegou à semifinal da Taça Guanabara e classificou-se para a 2ª fase da Copa do Brasil.
Esta crônica não é sobre futebol, há coisas mais interessantes para se investir tempo, porém algumas lições saltam aos olhos.
A primeira é que nem sempre que age com seriedade e sinceridade tem aprovação.
A segunda é que o imediatismo em se exigir um resultado é uma falha nossa.
O terceiro ponto é que mesmo se perdendo tudo não se deve negociar os princípios. Meu Fluminense mandou embora de forma esquisita um homem digno!
Após escrever esta crônica tomei conhecimento de que Renê Simões é cristão e faz parte dos Atletas de Cristo. Está explicado.


0 comentários:
Postar um comentário