FRASES PARA PENSAR E VIVER...


Toques de Sabedoria!
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"Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho a lhe oferecer... " Lucas 11:5-6
Apesar de tratar-se nesta parábola do poder da oracão perseverante, ela pode servir de base para refletir sobre os muitos problemas do tempo atual e a parte que toca à Igreja na aclaracão deles. É meia-noite na parábola; é meia-noite também no mundo, e a escuridão é tão profunda que quase não vemos a direcão que devemos tomar.

É meia-noite com relacão à sociedade.

Em um plano internacional vemos os povos empenhados em luta gigantesca e exasperada pela supremacia do poder. Duas guerras mundiais tiveram lugar em uma geracão e as nuvens de uma terceira pairam ameacadoramente baixas. O homem possui agora armas atômicas e nucleares que, em poucos segundos, podem arrasar totalmente as maiores cidades do mundo. No entanto, a rivalidade nos preparativos bélicos continua, e experiências com bombas atômicas ainda são realizadas na atmosfera, com a perspectiva sombria de ver envenenado, pela radioatividade, o ar que respiramos. Será que essas condicões e essas armas poderão causar a destruicão da raca humana?

A meia-noite exterior da vida do homem em sociedade tem relacão com a meia-noite em sua vida interior pessoal.

É a meia-noite com repeito à psicologia.

Durante o dia e a noite, em todo o lugar, os homens são perseguidos por um medo paralizante. Grandes nuvens de pavor e desânimo obscurecem o nosso céu espiritual. Atualmente mais pessoas têm perdido o seu equilíbrio espiritual do que em qualquer época do que em qualquer época da história humana. As salas psiquiátricas dos nossos hospitais estão superlotadas e os psicólogos mais procurados são os psicanalíticos.

É meia-noite também com relacão à moral.

À meia-noite as cores perdem sua distincão e tornam-se cinzentas. Os princípios morais perderam sua característica. O homem moderno considera absolutamente certo e errado o que a maioria faz. O certo e o errado depende das inclinacões e hábitos das comunidades em particular. Sem o saber estamos empregando, no campo moral e ético, a teoria da relatividade de Einstein que descreve claramente o universo físico.

À meia-noite é a hora na qual o homem procura desesperadamente observar o décimo-primeiro mandamento: "Não te deixes apanhar". Segundo a moral da meia-noite, o pecado capital é ser apanhado e a virtude capital, escapar. Julga-se perfeitamente lícito mentir, contanto que seja com "classe". É perfeitamente normal roubar, contanto que seja feito de maneira tal que a acusacão, caso for apanhada na falsificacão, não seja classificada como sendo roubo. Até é admissível odiar, contanto que o ódio seja cercado com o manto do amor, fazendo crer que o ódio é amor. A doutrina de Darwin, da sobrevivëncia dos mais fortes, foi melhorada com a filosofia dos astutos. Esta maneira de pensar foi a causa do desmoronamento trágico dos valores morais, e a meia-noite do fim da moral está sempre perto.

Como na parábola, assim a densa escuridão da meia-noite em nosso mundo é interrompida pelo ruído de uma batida.

Milhões de pessoas batem na porta das igrejas. Sentem elas que a Igreja ainda tem a resposta à confusäo que as cerca na vida. Ela continua sendo o lugar para o qual o viajante cansado alcanca à meia-noite. Ela é a casa, edificada no lugar onde sempre esteve, a casa à qual o viajante vem, ou se abstém de vir, à meia-noite. Alguns resolvem não vir. Mas as multidões que chegam e batem, procuram desesperadamente uma pequena chance para se manterem flutuando por cima da água.
Quando o homem da parábola bateu à porta do seu amigo, pedindo três pães, recebeu a resposta impaciente: "Não me importunes: a porta já está fechada e os meus filhos comigo também já estão deitados, não posso levantar-me para tos dar." Quantas vezes os homens têm tido desapontamentos semelhantes ao baterem na porta da Igreja à meia-noite!

Na parábola vemos que o homem, apesar do seu desapontamento inicial, nâo parou de bater à porta do amigo. Pela sua insistência e obstinacão ele conseguiu que seu amigo finalmente lhe abrisse a porta. Muita gente continua batendo na porta da igreja, à meia-noite, por saber que lá encontra o Pão da Vida. A Igreja tem o dever de anunciar o Filho de Deus, Jesus Cristo, como a esperanca dos homens em todas as suas múltiplas necessidades pessoais e sociais.

Muitos virão para obter uma resposta aos seus problemas da vida. Muitos jovens que batem à porta estão desorientados pelas incertezas da vida, confusos pelas decepcões diárias e indiferentes pelas várias interpretacões da história. Alguns dos que chegam foram afastados dos seus estudos ou empregos para servirem à pátria. Devemos equipá-los com o pâo fresquinho da esperanca e enchê-los com a conviccão de que Deus tem o poder de tornar o mal em bem. Outros que vêm, estão possuídos de um senso de culpa que tem origem nas suas andancas pela meia-noite do relativismo ético e na doutrina da auto-realizacão. É nosso dever conduzi-los a Cristo que lhes oferece o pão do perdão. Ainda outros que chegam são atormentados pelo medo da morte, ao se aproximarem do ocaso da vida. Devemos oferecer-lhes o pão da fé na imortalidade, a fim de que reconhecam que a vida terrena é apenas uma introducão imperfeita para um novo despertar.

A meia-noite é uma hora inquietante na qual se torna muito difícil ser cristão verdadeiro.

A palavra melhor que a Igreja pode pronunciar é que a meia-noite não durará para sempre. O viajante cansado que à meia-noite vem pedir pão, anseia realmente pelo amanhecer do dia. Nossa mensagem eterna de esperanca é que o dia amanhecerá por certo.

A fé do amanhecer vem da crenca de que Deus é bom e justo. Quem assim crê, sabe que as contradicões da vida não são nem determinantes e nem finais. Ele pode atravessar a escuridão da noite com a certeza de que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus. Até mesmo uma meia-noite sem estrelas pode prenunciar o amanhecer de uma grande realizacão. Amém.

- transcrito do "Brado de Guerra - contra todo o mal" - 1983 -

Diante do texto acima, tornam-se pertinentes alguns questionamentos:
1. Qual o papel da sociedade e dos cidadãos de bem frente as mazelas sociais e escândalos morais que presenciamos nos tempos atuais?
2. O texto bíblico em pauta pode servir de alerta quanto as injustiças sociais e os desvios morais vivenciados atualmente?
3. Qual postura da Igreja e da Sociedade Civil Organizada quanto aos conhecidos desvios de conduta que impôem sofrimento e dor aos menos favorecidos?
4. Qual meu papel e o que posso fazer para levar luz diante da escuridão moral e espiritual que testemunhamos em nossa sociedade por vezes injusta e perseguidora?

Pr. Galba Freire, Prof. Univ.

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